Quinta-feira, 25 de Agosto, 2016
   
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Boas férias de verão 2016!
Boas férias de verão 2016! Quarta-feira, 15 Junho 2016 00:00 Por estes dias, a escola parece, assim à primeira vista, abandonada, no entanto, as pessoas continuam a entrar e a sair, não numa azáfama, mas num passo mais descontraído. Os pássaros, as formigas e as osgas tomam conta dos pátios, as aranhas apoderam-se dos tetos. É certo que os pássaros são em menor número e que a alimentação que procuram é escassa. Por estas alturas não há restos de lanches deixados nos pátios, migalhas ou outros afins. Há um silêncio ensurdecedor, um calor sufocante e imensas cadeiras vazias. No entanto, parece que as conversas, os gritos e os risos ficaram no ar, parece que pairam esperando que alguém os transforme em som e alegria. O vazio alastra, na tarde de Verão, os sons e as brincadeiras estão guardados no armário da memória, não tarda e aí estarão eles de volta ao pátio, às salas, às escadas, na fila do refeitório, na entrada. As bolas voarão tais como mísseis redondos e precisos (às vezes nem tanto) e vai chegar o tempo dos ralhetes, do refilanço, das angústias, dos amores e desamores. E eles irão passar de meninos a adolescentes, num ápice. De volta ao tempo, a mudez do som continua alastrando consigo as memórias, os pássaros continuam procurando aqui e ali, as osgas escondem-se e eu, aqui, parece que fiquei presa nalguma saída do tempo. (Um texto de Célia Ribeiro, Assistente Operacional da EB Hermenegildo Capelo). Bom descanso para todos e até setembro!

Hermenegildo Capelo

hermHermenegildo Carlos de Brito Capelo nasceu em 1841 no castelo de Palmela. Era filho de um dos mais ilustres governadores de Palmela - major Félix António Gomes Capelo e de D. Guilhermina Amália de Brito Capelo. Assentou praça na marinha em 1855, terminando o curso em 1859. Em 1860 embarcou como guarda -marinha na corveta Estefânia, envolvida no transporte de tropas para a campanha militar em Angola. Em 8 de Março de 1871 combateu no ataque à Canconga, em território Guineense, distinguindo-se pelo seu valor e disciplina. Hermenegildo Capelo conservou-se três anos na estação naval de África Ocidental. Entre 1863 e 1870 viajou várias vezes entre Lisboa e África tendo sido promovido a segundo tenente em 1864. No ano de 1871 foi enviada uma expedição à Guiné da qual fazia parte Hermenegildo Capelo.

  

AS EXPLORAÇÕES DE HERMENEGILDO CAPELO

Nos últimos anos do século XIX Hermenegildo Capelo acompanhado por Roberto Ivens e Serpa Pinto, integrou uma expedição científica que tinha por objectivo a exploração dos territórios entre Angola e Moçambique e das bacias hidrográficas dos rios Zaire e Zambeze e assim concluir a Carta da África Centro-Austral. A meio do empreendimento, um desentendimento entre Hermenegildo Capelo e Serpa Pinto levou-os à sua separação, seguindo este último para uma viagem à contra costa enquanto Hermenegildo Capelo e Roberto Ivens percorreram as regiões de Benguela até às terras de Iaca, tendo delimitado os cursos dos rios Cubango, Luando e Tohicapa. O êxito da expedição ficou perpetuado no livro De Benguela às terras de Iaca. Face à necessidade de criação de um atlas geral das colónias portuguesas e de estabelecimento de ligações comerciais entre Angola e Moçambique, Capelo e Ivens regressaram a África em 1884. Estudaram primeiramente entre a costa e o planalto de Huila e depois através do interior até à região de Quelimane, em Moçambique, tendo esta expedição durado 7 meses.

 

O FIM DA CARREIRA DE HERMENEGILDO CAPELO

Hermenegildo Capelo regressou à metrópole em 1885 e foi recebido pelo rei D. Luís. Posteriormente, foi nomeado para outras missões, tais como vice-presidente do Instituto Ultramarino e ajudante-de-campo dos reis D. Luís, D. Carlos e D. Manuel II. Hermenegildo Capelo foi ministro plenipotenciário junto do Sultão de Zanzibar, organizador de uma carta geográfica da província de Angola, delegado do governo num congresso de Bruxelas e presidente da comissão de cartografia. Hermenegildo Capelo foi promovido a contra-almirante em 17 de Maio de 1902 e a vice-almirante em 18 de Janeiro de 1906. Muito dedicado ao rei D. Manuel II, acompanhou-o até à partida para o exílio, em 5 de Outubro. No dia 24 do referido mês deu por terminada a sua carreira militar.

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